Anos mais tarde eu reencontrei esse mesmo aluno no mesmo escritório modelo da faculdade. Nesse dia o local estava mais calmo, como menos alunos e pudemos trocar algumas palavras. Na verdade eu confesso que fiquei um pouco na defensiva, assustada com aquele cara que pouco me conhecia mas já estava dizendo o que eu devia ou não vestir.
Uma outra amiga tratou de amenizar o clima e fez as apresentações: "Carla, esse aqui é o Bruno. Ele está terminando a faculdade e é um excelente aluno de Processo Penal." O que mais tarde fui descobrir que era pura enrolação, hehehehe.
A partir daí eu não tive mais sossego. Ele não podia me ver que me parava, puxava assunto, pedia para sair, ir ao cinema ou fazer qualquer coisas. A cena chegava a ser cômica, pois vcs conhecem o tamanho do Bruno. Imagina ele no meio de escada da faculdade, impedindo que eu passasse enquanto não desse um beijo nele. Era engraçado. Eu sempre dava um jeito de sair sem sucumbir.
Um belo dia um amigo virou e disse: "Carla, esse negócio daquele tal de Bruno ficar te segurando sem deixar vc passar. Vc quer que eu tome alguma atitude? Eu sei que ele é grande, mas eu "dô" um jeito." Olhei pra ele, pensei por um segundo, e respondi: "Não. Não precisa não."
A reação desse meu amigo foi hilária. "Não? Vc não quer que eu faça nada? Vc é uma safada mesmo. Vc tá gostando e eu aqui preocupado com vc." kkkkkkk
Realmente, eu não sabia, mas estava gostando daquele grandão me cercando todos os dias, até que não teve mais jeito.
Em um dia, eu estava na saída da faculdade, no ponto de ônibus, esperando uma carona, quando o Bruno me viu. Não tive escapatória. Foi ali mesmo, sem muita conversa, sem dar tempo de pensar. Ele me deu o beijo e logo a minha carona chegou. Entrei no carro um pouco tonta com a situação e só tive uma reação, contar tudo para o pessoal que estava no carro: "Vc não acreditam no que acabou de acontecer... o Bruno me beijou aqui no ponto de ônibus". Foi uma risada geral, virei piada e não teve mais como parar.
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